10ª fase

Canela: ex-secretário de Turismo é preso em nova fase da operação Caritas

Na décima fase da Operação Caritas, são investigados crimes de corrupção na Secretaria Municipal de Turismo do município.

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A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (14), a décima fase da Operação Caritas, que investiga corrupção em parte do poder público de Canela, cidade da Serra gaúcha. Na décima fase, são investigados crimes na Secretaria Municipal de Turismo. Cerca de 90 policiais civis participaram da operação policial.

De acordo com o Delegado Vladimir Medeiros, titular da Delegacia de Canela e responsável pela Operação Caritas, havia um esquema de corrupção dentro da pasta. Segundo as investigações, a pasta realizava contratações sem cumprir a exigência legal da prática de licitação. Através destes contratos, empresas envolvidas no esquema recebiam os valores pagos pela Prefeitura Municipal e repassavam parte da quantia a agentes e servidores públicos da própria Secretaria de Turismo.

O ex-secretário de Turismo de Canela, Ângelo Sanches, foi preso preventivamente por suspeita de receber recursos pagos por essas empresas que realizavam eventos na cidade. Além dele, são investigados dois empresários que fariam parte do esquema criminoso. Outros três servidores que ainda ocupavam cargo de confiança na pasta foram afastados por 120 dias.

Conforme o delegado Medeiros, a investigação policial apurou pagamentos diversos feitos. Alguns deles eram realizados diretamente na conta dos investigados. A outra parte consistia na aquisição de bens, como imóvel e veículo.

A Polícia Civil verificou, ainda, um esquema ilegal em que empresários da região patrocinavam eventos e reformas em prédios públicos de Canela. Os pagamentos, no entanto, eram realizados em contas particulares ou das empresas de que os sócios ocultos eram servidores, de modo a dificultar a fiscalização e controle sobre dos valores.

Treze viaturas da Polícia Civil estão em fila, andando em uma estrada. Elas estão passando pelo pórtico de entrada de Canela, na Serra do RS.
Viaturas que participaram da Operação Caritas, em Canela. Foto: Polícia Civil / Divulgação

Mandados judiciais cumpridos

Foram cumpridas buscas em 29 endereços, sendo 26 deles em Canela, incluindo prédios públicos, como a Prefeitura Municipal e a Secretaria de Turismo, além de empresas e residências na cidade. Cinco veículos, incluindo de alto padrão foram apreendidos. Eles são avaliados, ao todo, em cerca de R$ 500 mil.

Ao todo, 22 pessoas físicas e jurídicas também restaram proibidas de contratar com o poder público de Caneça pelo período de um ano, sendo todas elas ligadas ao ramo de turismo e eventos. Na ação, ainda foram bloqueados valores em 10 contas bancárias. O montante ainda não foi contabilizado.

Dois imóveis localizados em Canela foram sequestrados pela Polícia Civil, tornando-se indisponíveis. Um deles se trata de um apartamento avaliado em mais de R$ 1 milhão. Outro, uma casa, avaliada também em mais de R$ 1 milhão. Os dois imóveis pertencem a um ex-agente público anteriormente lotado na Secretaria de Turismo de Canela, tendo sido adquiridos ilicitamente, segundo a polícia.

Operação Caritas

A investigação, iniciada em novembro do ano passado, apura, ao todo, a participação de 48 pessoas no esquema, sendo 27 físicas e 21 jurídicas, entre servidores públicos, empresas e empresários do ramo de turismo e eventos. Foram apuradas possíveis irregularidades em pagamentos e contratos que somam cerca de R$ 2,8 milhões.

A Caritas começou investigando fraudes no Hospital de Canela, em abril de 2021, quando a polícia apreendeu material de construção que estaria sendo desviado da reforma em um sítio de um ex-servidor da Prefeitura. O homem era dono de empreiteira que prestava serviços para o município. Os itens desviados estavam sendo usados em uma obra particular do suspeito.

Mas, ao ir puxando o novelo desse suposto desvio, os policiais encontraram indícios da criação de uma rede de corrupção utilizada para lavagem de dinheiro. Os policiais descobriram um esquema para fraudar as obras da Prefeitura e, assim, enriquecer às custas da população. Os investigados faziam orçamentos de fachada para supostas reformas no hospital ou em outros prédios públicos. Outras duas empresas de fachada, apresentariam orçamentos com valores maiores, para perder o contrato.

Outro ponto investigado é o esquema de devolução de salários por coação, a chamada “rachadinha”. Seriam movimentados cerca de R$ 20 mil por mês, sendo que cada funcionário público comissionado pelos integrantes da organização investigada tinha que devolver cerca de 10% do contra-cheque. Os policiais conseguiram fotos que mostram os investigados trocando fotos com maços de dinheiro.

Logo em seguida, foi descoberto um amplo esquema de corrupção dentro da Secretaria de Meio Ambiente. Empresas pertencentes ou ligadas a servidores do alto escalão da Secretaria do Ambiente e seus sócios eram indicadas a pessoas que buscavam licenciar grandes empreendimentos na cidade. Caso o morador ou empresário não contratasse esta empresa, tinha a obra inviabilizada ou atrasada. Também existem suspeitas quanto a contratos firmados pela prefeitura de Canela com empresas ligadas aos servidores, nas quais houve dispensa de licitação.

O ex-secretário de Meio Ambiente de Canela, Jackson Müller, foi preso duas vezes. Na primeira, por causa da investigação que apurava irregularidades na emissão de licenças ambientais. Depois, por tentar atrapalhar as investigações. O ex-secretário teria contratado criminosos para forjar o arrombamento da própria casa em São Leopoldo.


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