Morre a rainha Elizabeth II do Reino Unido, aos 96 anos

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Foto: BBC News

O Palácio de Buckingham confirmou, na tarde desta quinta-feira (8), a morte da rainha Elizabeth II. Ela tinha 96 anos de idade e foi a mais longeva monarca da história do Reino Unido, reinando desde 6 de fevereiro de 1952, totalizando mais de sete décadas como soberana.

“A rainha morreu pacificamente em Balmoral nesta tarde. O rei e a rainha consorte permanecerão em Balmoral essa noite e retornaram para Londres amanhã”, escreveram nas redes sociais referindo-se ao filho Charles e Camilla Parker Bowles.

Em 21 de abril de 1926, nasceu, em Londres, a tataraneta da Rainha Vitória, a pequena Elizabeth Alexandra Mary Windsor, primogênita do futuro Rei George VI e da Rainha Elizabeth. Seu pai subiu ao trono da monarquia britânica em 1936, transformando a menina de dez anos em princesa e herdeira do trono do Reino Unido. Educada dentro dos muros do palácio, vivendo uma juventude enclausurada no Castelo de Windsor, a jovem princesa adquiriu os conhecimentos necessários à uma futura monarca.

No início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, Elizabeth era ainda uma garota de 13 anos e, mesmo assim, resolveu ajudar o seu país. Sua função era participar de transmissões da Rádio BBC, mandando mensagens com o objetivo de tranquilizar outras crianças britânicas. A princesinha também usava o microfone para falar diretamente aos homens e mulheres que serviam nas forças armadas do Reino Unido, como forma de fortalecer o moral do seu povo.

No final da guerra, em 1945, já com 19 anos, Elizabeth tinha se alistado no Exército. Após concluir um curso de mecânica de automóveis, a futura rainha estava apta a dirigir caminhões, ambulâncias e jipes e a fazer reparos nas viaturas e trocar pneus. O filme “A Rainha”, de 2006, mostra a monarca (interpretada pela atriz Helen Mirren) dirigindo um jipe por estradas acidentadas nas propriedades da família.

Aos 21 anos, em 1947, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, casou-se com um primo de segundo grau, o príncipe grego Philip Mountbatten, na Abadia de Westminster. Tiveram quatro filhos: o herdeiro do trono,  príncipe Charles, a princesa Anne e os príncipes Andrew e Edward.

Em 1948, grávida do futuro príncipe Charles, Elizabeth estava na tribuna de honra do estádio de Wembley, quando seu pai fez a abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Londres. Certamente não imaginaria que, 64 anos depois, fosse ela quem declararia aberta outra edição das Olimpíadas na capital britânica, em 2012.

A situação de saúde da monarca já havia deixado os britânicos em alerta desde as primeiras horas da manhã, quando foi emitido um comunicado informando que ela estava “sob supervisão médica”. “A rainha permanece confortável em Balmoral [residência da realeza na Escócia]”, conclui a nota de apenas três linhas divulgada por volta das 8h30.

Nos últimos meses, Elizabeth vinha cumprido apenas compromissos oficiais leves e ocasionais, em casa. Ela perdeu uma série de eventos externos, incluindo a tão esperada participação na Conferência climática internacional da ONU realizada em novembro em Glasgow, Escócia, sob a presidência britânica. Seu último evento público foi dar posse à nova primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, no dia 6.

Em abril de 2021, Elizabeth II perdeu seu companheiro, o príncipe Philip, aos 99 anos. Eles estiveram casados desde 1947, no matrimônio considerado o mais longo da história da Família Real britânica. A rainha confidenciou ao terceiro filho do casal, o príncipe Andrew, que sentiu “um enorme vazio” após a morte de seu marido. Ela o conheceu quando tinha apenas 13 anos e eles ficaram noivos quando ela tinha 21.

Coroação de Elizabeth II

Elizabeth II herdou o trono da monarquia britânica após a morte prematura de seu pai George VI, ocorrida em 1952, quando ele tinha 56 anos. Quando recebeu a notícia que mudou sua vida, Elizabeth estava em visita oficial ao Quênia e tinha 25 anos.

George VI estava doente e morreu enquanto dormia em Sandringham. Como revelaram depoimentos e imagens, a então princesa apareceu com um olhar perdido no avião que a levaria de volta a Londres e meditou sobre sua ascensão ao trono.

A coroação foi realizada apenas em 2 de junho de 1953, após um longo período de luto. Desde então, ela tem sido, mesmo nos momentos mais difíceis, a líder do Reino Unido, sempre capaz de se adaptar às mudanças que ocorreram em sua vida e na complexa evolução histórica e social de um país.

Durante os 70 anos no trono, Elizabeth foi, acima de tudo, quem permitiu a melhor sobrevivência da monarquia diante do desafio da modernidade e também dos muitos problemas causados pelos próprios membros da Família Real, incluindo o escândalo sexual envolvendo o príncipe Andrew, seu terceiro filho, e a saída de Harry e Meghan Markle de suas responsabilidades reais.

Em fevereiro, durante a comemoração do Jubileu de Platina, a monarca expressou seu desejo de que Camilla Parker Bowles, mulher do Príncipe Charles, receba o título de rainha quando ele assumir o trono inglês. Ela ainda escreveu sobre se sentir otimista com o futuro e discorreu brevemente sobre os progressos britânicos nas últimas sete décadas.

“E quando, no devido tempo, meu filho Charles se tornar Rei, sei que vocês darão a ele e a sua mulher, Camila, o mesmo apoio que têm me dado. E é meu sincero desejo que, quando chegar a hora, Camila seja conhecida como Rainha Consorte ao continuar seu leal serviço”, disse ela.


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