Exército nas ruas

Número de bloqueios nas estradas cai após decreto de Garantia da Lei e da Ordem

Decreto prevê, entre outras demandas, uso das Forças Armadas para transporte e escolta de combustíveis das refinarias para os postos

Crédito: Vladimir Platonow/ Agência Brasil

O presidente da República emitiu um decreto de Garantia da Lei e da Ordem de abrangência em todo o território nacional até o dia 4 de junho. A medida visa reprimir os bloqueios de caminhoneiros realizados há cinco dias por todo o país.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, houveram 938 interrupções em estradas. Dessas, 419 foram liberadas desde quinta-feira e outras 519 seguem com bloqueios. Todas as interdições de rodovias são parciais. Ontem, à tarde, eram 496 segundo a CNTA (Confederação nacional dos Transportadores Autônomos).

Ao mesmo tempo, ao menos 20 empresários se tornaram alvos de investigação pela Polícia Federal. Eles são suspeitos de terem praticado locaute, ou seja, quando a paralisação de trabalhadores é feita por pressão dos patrões e atender as demandas das empresas.

O ministro da Defesa, general Silva e Luna, concedeu uma coletiva explicando as ações que o governo fará para desobstruir estradas. “Estabelecemos uma série de prioridades para o emprego dos meios e a principal preocupação são as refinarias para, a partir de lá, poder abastecer”, afirmou.

Uma das tarefas das Forças Armadas, explicou o general, será utilizar caminhões da própria Petrobras, que estão parados dentro das refinarias. A proposta é escoltar o combustível para os postos de abastecimento. No Rio de Janeiro, houve desobstrução total do acesso à Reduc (Refinaria de Duque de Caxias), na Baixada Fluminense, uma das maiores do país em capacidade instalada para o refino de petróleo.

O ministro também garantiu que as Forças Armadas têm recursos suficientes para executar a operação de desbloqueio das rodovias, inclusive combustível para abastecer os veículos militares. “Temos entre 35 e 45 dias de reserva de combustível”, assegurou.

Silva e Luna evitou cravar um prazo para a normalização do abastecimento e disse que a ação dos militares. “Não é contra os caminhoneiros, mas para permitir o direito de ir e vir”, garantiu.

Além da GLO, o governo informou que estuda a edição de um outro decreto, com base na Constituição Federal, que permitirá a requisição de bens, incluindo caminhões parados em transportadoras, para distribuição de alimentos, combustíveis, medicamentos e outros insumos. Nesses casos, integrantes das forças de segurança federais e estaduais poderão dirigir os caminhões.