Tudo parado

Caminhoneiros não aceitam “acordo” com o Planalto e paralisação chega ao 5º dia

Greve dos Caminhoneiros na fronteira com Brasil/Uruguai. Crédito: Marcelo Pinto / APlateia

A paralisação dos caminhoneiros chegou ao quinto dia nesta sexta-feira (25). A categoria não aceitou os termos propostos pelo governo durante reunião ontem. O Planalto acreditava que o movimento poderia ceder após o anúncio as medidas, o que não ocorreu.

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) não registrou nenhuma desmobilização de pontos de manifestação de caminhoneiros nas rodovias do país. No Rio Grande do Sul, são ao menos 62 pontos de protesto, sendo 49 pontos em rodovias estaduais e pelo menos 13 em rodovias federais.

Pelo acordo, os caminhoneiros deveriam voltar ao trabalho progressivamente e manter uma trégua de 15 dias, a fim de evitar uma crise de desabastecimento pelo Brasil. Em diversas cidades, há falta de alimentos e combustíveis, problemas em aeroportos e ônibus devido ao desabastecimento, e até frotas policiais estão sendo reduzidas.

Sem caminhões para entregas, vários setores comerciais e profissionais, inclusive o hospitalar, também estão sem suprimentos e cirurgias foram canceladas.

O protesto começou contra o aumento do preço do diesel, após o produto sofrer 11 reajustes em 17 dias. Como o preço do petróleo subiu, a Petrobras repassou as flutuações nas cotações internacionais às refinarias. Mas, na quarta-feira, o presidente da estatal, Pedro Parente, disse que reduziria o preço do diesel em 10% por 30 dias.

O governo também prometeu abrir mão de impostos, como a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide 1% sobre o combustível, para baratear o preço final. A desoneração implicará em perdas bilionárias aos cofres públicos. O governo tinha aceitado 12 propostas exigidas pela categoria, mas se negou a acatar a principal reivindicação: a isenção do PIS/Cofins sobre o óleo diesel.

Mesmo com o acordo, apenas parte dos caminhoneiros aceitou encerrar a greve. O texto foi assinado por algumas entidades representativas, incluindo a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos). Outros grupos, como a Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros) e a Unicam (União Nacional dos Caminhoneiros), rejeitaram.

Além disso, motoristas de van escolares começaram hoje a fazer bloqueios em ruas e rodovias de várias capitais. Eles exigiam também uma redução no valor da gasolina, que em alguns postos, como em Brasília e no Recife, chegou a ser comercializada a R$ 9 o litro.