Buraqueira

Usinas de asfalto operam com menos de 10% da capacidade

Equipamentos da unidade localizada no Extremo Sul de Porto Alegre. Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA
Equipamentos da unidade localizada no Extremo Sul de Porto Alegre. Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA

Sem atividade entre novembro 2017 e março deste ano, as duas Usinas Municipais de Asfalto de Porto Alegre não estão operando de acordo com a capacidade instalada, que corresponde a 280 toneladas de concreto quente por hora. A unidade do Bairro Sarandi está fabricando apenas 60 toneladas de asfalto por dia e a da Restinga não está produzindo. O produto é usado pela Prefeitura nas operações tapa-buraco e em outras obras viárias. As informações foram reveladas na manhã desta quinta-feira (24) ao presidente da Câmara, Valter Nagelstein (MDB), e ao vereador Paulinho Motorista (PSB). Os parlamentares visitaram a Usina da Restinga durante a 5ª edição do projeto Câmara na Rua.

Conforme o secretário de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Smim), Luciano Marcantonio, não é economicamente viável ter as duas usinas em funcionamento. “Hoje, devido à crise financeira da Prefeitura, à política de reajustes quase diários da Petrobrás e à insegurança do mercado por conta de dívidas com fornecedores, temos uma limitação para a compra”, explicou. Além de estar preparando nova licitação para a compra de insumos, o secretário lembrou que foi assinado recentemente um contrato emergencial que garantiu 3.300 toneladas de cimento asfáltico de petróleo (CAP). Esse material, misturado à areia e às britas, forma o concreto quente, que é aplicado nas vias.

Marcantonio disse ainda que os cerca de 4 mil pedidos de tapa-buraco reprimidos no 156 (para solicitações ao governo municipal) devem ser normalizados até julho. “O orçamento para a produção de asfalto este ano é de R$ 15 milhões. Para termos mais insumos, precisamos de mais recursos e, para isso, precisamos enfrentar os temas que estão na Câmara e aprovar os projetos do Executivo”, afirmou.

Nagelstein reforçou a intenção de a Câmara doar R$ 10 milhões para a realização de uma operação emergencial de tapa-buracos. “O valor seria extremamente útil, pois quase que dobraria a capacidade orçamentária atual para produzir asfalto e tapar os buracos da cidade. O Executivo não quis, mas vou insistir que aceite, pois o recurso é fruto da economia que estamos fazendo no Parlamento e pode muito bem ser alocado em questões que a cidade necessita”, disse. O presidente da Câmara classificou de “desperdício” ter um equipamento do porte da Usina da Restinga parado. “Vemos que há a possibilidade de as usinas produzirem muito mais. Há a necessidade de termos mais equipes mobilizadas e não apenas três da Smim e nove terceirizadas para atender toda a cidade. Governar é eleger prioridades”, declarou.

Fluxo

O engenheiro Alexandre Stolte, chefe das Usinas, disse que o asfalto produzido é de boa qualidade, com durabilidade entre cinco e 12 anos, dependendo do projeto. “Já produzimos 1.400 toneladas de asfalto por dia. Não precisamos de máquina porque a que temos é uma das melhores do Estado. O que a gente precisa é ter fluxo de fornecimento de recursos para a compra de insumos, porque a produção de asfalto ocorre em série e não pode ser interrompida.”