Exército nas ruas

Governo pretende usar Forças Armadas para desbloquear estradas

Medida vem sendo avaliada pela inteligência do governo e ganhou força diante da decisão dos caminhoneiros de manter os protestos hoje

A governo federal decidiu endurecer a resposta ao protesto de caminhoneiros nas estradas do País. Com rodovias bloqueadas em mais de 500 pontos de, pelo menos, 23 estados, a medida vem sendo avaliada pela área de inteligência e segurança do governo desde ontem (24). Ela ganhou força diante da decisão dos caminhoneiros de manter os protestos hoje.

Segundo o Folha de S.Paulo, o presidente Michel Temer deve fazer um pronunciamento a qualquer momento para falar sobre a greve. O uso das Forças Armadas, mais precisamente do Exército, é considerada “extrema e indesejada”.

Ontem, o governo chegou a anunciar um acordo a União entre representantes dos caminhoneiros. No entanto, os motoristas decidiram não acatar o que foi decidido no Palácio do Planalto.

A desobediência civil do acordo agora pode levar o Exército para as ruas. Medida essa será tomada, conforme fontes no Planalto, pelo estrangulamento vivido pela população, com falta de alimentos perecíveis e de combustível, especialmente gasolina.

O governo teme que, ao colocar as tropas na rua, incendeie o movimento, assim como as policiais estaduais fizeram nos protestos de julho de 2013. Naquela ocasião, protestos basicamente pacíficos foram reprimidos com força. Os integrantes se radicalizaram e a manifestação, muitas vezes, virou quebra-quebra generalizado, com direito a confronto direto entre PMs e os grupos mobilizados.

Se, de fato ocorrer, não será a primeira vez. Há 19 anos, em 1999, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) convocou o Exército para debelar uma greve de caminhoneiros. A decisão acabou por, no fim das contas, debelar o movimento.