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Ação conjunta descobre bactéria e carne imprópria em embutidos de frigorífico

Promotores em frigorífico de Bento Gonçalves. Foto: MPRS/Divulgação

Uma notícia nada agradável para os consumidores gaúchos, mas é importante divulgá-la para mostrar o que alguns frigoríficos estão fazendo aqui no Rio Grande do Sul.

Em uma ação conjunta da Receita Estadual e as Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor da Capital e com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Alimentar (GAECO) combateu a fabricação de embutidos com a reutilização de carne imprópria ao consumo humano.

Eles cumpriram três mandados de busca e apreensão em dois frigoríficos e um matadouro nas cidades de Bento Gonçalves, Flores da Cunha e Anta Gorda. Os mandados foram cumpridos nas sedes das empresas Aida Alimentos, Matadouro Gavazzoni e R. Moretto – Frigorífico. De acordo com as investigações, os investigados associaram-se para cometer crimes contra a saúde pública através da “adição de amido e carne mecanicamente separada”, além de compra de produtos de péssima qualidade para a fabricação dos produtos da empresa Aida. A prática torna os produtos impróprios ao consumo humano.

A intenção das ações conjuntas é localizar embutidos adulterados e produtos químicos utilizados de forma irregular, além de documentos e equipamentos eletrônicos. A Fepam lavrou dois autos de infração às empresas Aida e Moretto por lançamento de resíduos sem tratamento de efluentes.

A empresa Gavazzoni será notificada pela Fepam para adequação à legislação ambiental. O frigorífico Moretto não poderá receber novos animais para abate até a regularização correta dos resíduos da lavagem de caminhões. Além disso, foram coletadas amostras dos embutidos encontrados nos locais para análise pelo Laboratório Nacional Agropecuário – Lanagro.

Bactéria

Laudos realizados pelo Lanagro a partir de fiscalizações da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi) na empresa Aida Alimentos constataram a presença da bactéria Listeria monocytogenes na copa fatiada, um agente biológico altamente nocivo e letal.

De acordo com o laboratório, a bactéria é causadora da doença chamada listeriose, infecção que tem incidência baixa, mas alto grau de severidade e alto índice de mortalidade (20% a 30%). A listeriose pode causar problemas sérios em gestantes, recém-nascidos, idosos e pacientes debilitados e imunodeprimidos.

Os sintomas iniciais são semelhantes a uma gripe: com febre, mialgias e dor de cabeça, seguidos de complicações, como aborto, feto natimorto, nascimento prematuro e infecções neonatais. A listeriose invasiva, por sua vez, pode afetar o sistema nervoso central e causar meningite, meningoencefalite e abscessos no cérebro. Ela atinge, principalmente, pacientes com mais de 50 anos e causa febre, alterações na percepção sensorial e dor de cabeça.

Segundo o laboratório, as análises dão conta, também, que os produtos pepperoni, apresuntado, presunto cru e presunto tipo Parma continham amido em quantidade superior à prevista na legislação. Além disso, foi encontrado amido em presunto cru tipo italiano fatiado, produto cujo rótulo afirma, nas informações nutricionais, que o percentual de carboidratos é 0% e que o produto não contém glúten.

No entanto, como não se tem conhecimento de qual tipo de amido foi adicionado ao embutido, pode haver glúten nos produtos. Isso coloca em sério risco a saúde da população, sobretudo as pessoas celíacas, que não podem entrar em mínimo contato com a substância. O amido seria utilizado para aumentar o peso dos produtos, o que consiste em fraude econômica.

O Lanagro também constatou a presença de nitrito de sódio em quantidade superior à permitida em amostras de mortadela sem toucinho com ervas finas. A utilização do insumo deve ser limitada e atender aos padrões da legislação, pois há estudos que relacionam o alto consumo a alguns tipos de câncer.