Secretaria da Saúde confirma 51 casos de toxoplasmose em Santa Maria

Secretaria informa que dados ainda são insuficientes para caracterizar perfil epidêmico da doença. Foto: Daniela Barcellos/Palácio Piratini

O grupo de trabalho formado por técnicos das secretarias da Saúde do Estado (SES) e de Santa Maria confirmou, na terça-feira (24), novos casos de toxoplasmose no município. Até o momento, são 51 casos confirmados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen-RS), dos quais sete são gestantes.

Entre os dias 12 e 24 de abril, foram registrados 193 casos suspeitos da doença. Foram coletadas e analisadas 90 amostras de sangue. Dos casos confirmados, 90% apresentaram febre e dores no corpo e de cabeça, e 76% tiveram ínguas (inchaço das glândulas linfáticas). Está em investigação um caso de óbito fetal com suspeita de toxoplasmose em gestante que teve a doença.

Os dados ainda são insuficientes para caracterizar um perfil epidêmico da doença, ou seja, a parte da população que tem maior risco de contaminação. Há casos confirmados e notificados em todas as regiões da cidade, totalizando 18 bairros.

Ações de vigilância

Estão sendo realizadas ações conjuntas entre técnicos do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), da Secretaria Municipal da Saúde e com apoio de profissionais de saúde da rede privada para investigar o surto e garantir o acesso das pessoas infectadas ao tratamento adequado, pois nem todas precisam de medicamentos. Entre essas ações, o grupo de trabalho tem realizado uma busca ativa por pessoas com suspeita da doença e um estudo de casos de surtos anteriores.

Além disso, está em processo um levantamento de informações sobre os pacientes e os estabelecimentos de alimentação através de questionários para encontrar pontos em comum nos hábitos de consumo de água e alimentos. Essa investigação busca esclarecer a provável fonte de contaminação da doença, pois o protozoário pode estar presente na água ou em carnes mal cozidas.

Quanto às coletas de água realizadas para investigação do surto, técnicos do Programa de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua), do Cevs, da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde da SES, em conjunto com os técnicos do programa do município, estão na cidade fazendo coletas em diferentes pontos. São eles: Estação de Tratamento de Água da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) (água de retrolavagem dos filtros, lodo do decantador e água tratada na saída da Estação de Tratamento), em caixas d’água das residências de pacientes diagnosticados com toxoplasmose e em uma produção hidropônica de verduras que são comercializadas no município.

O objetivo é ter uma amostragem da água consumida pela população representando os bairros da cidade e verificar a qualidade da água nos reservatórios residenciais dos casos suspeitos e confirmados. Também serão realizadas inspeções sanitárias em todos os reservatórios do município de distribuição de água para verificar pontos de risco (são 29 reservatórios e alguns estão desativados).

Os materiais serão encaminhados ainda nesta semana para o Laboratório da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, que é a referência do Ministério da Saúde para este tipo de pesquisa para a Região Sul do país. A previsão é que os resultados estejam disponíveis em até 10 dias após a chegada das amostras em Londrina.

Sobre a qualidade da água fornecida pela Corsan em Santa Maria, neste momento, encontra-se dentro do estabelecido pela legislação de potabilidade do Ministério da Saúde.