MEIO AMBIENTE

Projeto irá mensurar potencial de “descarbonização” da lavoura de erva-mate no RS

A erva-mate faz parte do Programa Nacional de Cadeias Agropecuárias Descarbonizantes do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), estruturado para atender as metas de compensação de Gases do Efeito Estufa

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Foto: Fernando Dias/Seapi

O DPPA (Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária), que integra a Seapi (Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul), está encabeçando um projeto chamado “Potencial de sequestro de Carbono e mitigação de GEE (Gases de Efeito Estufa) em áreas de produção de erva-mate no RS sob os sistemas Pleno Sol e Sombreado”.  O objetivo é determinar o potencial “descarbonizante” da erva-mate cultivada no Rio Grande do Sul em seus diferentes sistemas de produção.

A erva-mate faz parte do Programa Nacional de Cadeias Agropecuárias Descarbonizantes do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), estruturado para atender as metas de compensação de GEE. No RS, as pesquisas em torno do tema fazem parte de um outro estudo mais amplo, coordenado pelo professor Paulo César Carvalho, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), chamada “Monitoramento de GEE (Gases de Efeito Estufa) nos Campos e nas Florestas”. O projeto recebeu recursos da Fapergs (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul ), através do Edital 05/2023.

Esta pesquisa sobre a erva-mate é uma segunda etapa, posterior aos resultados apresentados no livro “Diagnósticos da produção da erva-mate no Rio Grande do Sul – Aspectos socioeconômicos, produtividade, fertilidade do solo e nutrição das plantas”, lançado na Expointer 2023. Os dados apresentados no diagnóstico mostram um levantamento da fertilidade dos solos dos cinco polos ervateiros gaúchos. Agora, a análise dos GEE vai começar pela erva-mate cultivada no município de Ilópolis, maior produtor do estado, pertencente ao Polo do Vale do Alto Taquari.

A coordenação é de Luciano Kayser, pesquisador do DPPA. Ele explica que, com a pesquisa, pretende-se “saber o quanto do carbono atmosférico a cultura é capaz de remover, incorporando ele ao seu tecido vegetal e ao solo”, afirma. E continua, adiantando que “nós vimos que o estoque de carbono no solo variou de 27 até 160 toneladas por hectare. Na média, o sistema sombreado apresentou um estoque significativamente maior, 73 ton/ha, do que o sistema pleno sol, 64 ton/ha”, afirma Kayser.

Cultivo sombreado, a erva-mate é produzida entre outros tipos de vegetação, inclusive em meio à mata nativa. Ela é chamada de sombreada justamente porque as outras plantas fazem com que os raios de sol não atinjam as plantas diretamente.

Nova tecnologia

Analisador de gases de efeito estufa portátil em fase de testes no município de Ilópolis – Foto: Divulgação/Seapi

Para viabilizar o projeto, a Seapi adquiriu, no final do ano de 2023, novos equipamentos capazes de fazer a mensuração dos fluxos dos gases metano, óxido nitroso e dióxido de carbono e quantificar estas emissões, em diferentes usos do solo no Rio Grande do Sul. A tecnologia estima também os teores de carbono no solo e nas plantas.

Trata-se de uma estufa portátil, que fará um balanço de carbono dentro dos diferentes sistemas de produção, como sistemas pleno sol e sombreado, em comparação com floresta nativa.

Segundo Kayser, com os dados obtidos com esses equipamentos vai ser possível gerar o balanço de gases de efeito em cada cultura. As amostras serão coletadas em diferentes profundidades do solo até 1 metro em trincheiras e em seguida serão levadas para o Laboratório de Solos do DDPA, para serem analisadas.

Segundo ele, esses estudos são de extrema importância para gerar os fatores de emissão para as nossas condições, que são informações úteis para serem utilizadas para inventários de emissão. “Estes dados que vão ser obtidos com a pesquisa vão dar subsídios para políticas públicas para a cadeia produtiva e contribuirão para o acesso de produtores ao mercado de créditos de carbono”, destaca Kayser.

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