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Fenômenos climáticos no RS podem ter impactado aumento nos casos de dengue

Confira as ações e as orientações do governo do Estado para evitar a proliferação da doença

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Fenômenos climáticos como o El Niño e as chuvas intensas que afetaram o Rio Grande do Sul nos últimos meses podem ter contribuído para o aumento do número de casos de dengue no Estado. É o que aponta o Cevs (Centro Estadual de Vigilância em Saúde).

“Muitas chuvas e grande acúmulo de resíduos. Isso propicia ainda mais a proliferação do vetor, favorecendo altos índices de infestação e, automaticamente, de transmissão da doença”, explica o diretor-adjunto do Cevs, Marcelo Vallandro, que afirma que todo o Estado requer atenção neste momento.

A maior incidência, contudo, é na Região Norte e Missioneira, ainda que a Metropolitana também já tenha altos índices. “De forma geral, todas as regiões têm apresentado casos. Por isso, é importante ter atenção, neste momento, a cada uma delas”, destaca.

Os dados reforçam os apontamentos do diretor do Cevs. Dos 497 municípios do Estado, 466 (93,8%) enfrentam infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.

Como resposta, o governo estadual tem executado um plano de contingência para combater a proliferação. As ações envolvem disponibilização de insumos aos municípios; supervisão e apoio em treinamentos e capacitações; e aplicação de estratégias a serem incorporadas como modelo pelos municípios.

Também foi desenvolvido o Painel de Casos da Dengue no RS, para ser utilizado pelos gestores municipais. Também há as “ovitrampas” (armadilhas para coleta de ovos do Aedes aegypti), a BRI (Borrifação Residual Intradomiciliar – aplicação de inseticida em locais de maior permanência de pessoas durante o dia).

O governo busca também, junto ao governo federal, a distribuição de vacinas contra a dengue no Estado. Em reunião virtual com a ministra da Saúde, Nísia Trindade, na tarde de quarta-feira (7), o governador Eduardo Leite reforçou o pedido pelo avanço seguro e ágil da estratégia de vacinação contra a doença.

Dados

A dengue é uma doença endêmica no Rio Grande do Sul, ou seja, tem se repetido nos últimos anos. Desde 2021, o Estado vem registrando grande número de casos. Entre os 2.915 casos confirmados da doença em 2024, o Estado já registra dois óbitos.

Até o momento, houve 6.126 notificações de casos suspeitos da doença. Desse total,  fora os confirmados 1.909 seguem em investigação, tendo sido descartados 1.302. Segundo a SES (Secretaria da Saúde), nas primeiras cinco semanas de 2024, o Estado teve 17 vezes mais casos notificados e confirmados do que no mesmo período de 2023.

Outros estados também estão sofrendo com a doença. Em 2024, o Brasil já registrou mais de 392 mil casos e 54 mortes, segundo o Ministério da Saúde. Até o momento, as unidades da federação com maior número de casos são Minas Gerais (135.716), São Paulo (61.873), Distrito Federal (48.657), Paraná (44.200) e Rio de Janeiro (28.327).

Orientações

O governo do RS orienta a população a tomar medidas de prevenção à proliferação e à circulação do Aedes aegypti, limpando e revisando áreas internas e externas das residências e apartamentos. O uso de repelente também é recomendado para maior proteção individual.

Para ajudar a eliminar os criadouros, é necessária uma ação semanal nos locais que podem acumular água. O ciclo de vida do mosquito, do ovo até a fase adulta, leva de sete a dez dias. Então, se a verificação for realizada uma vez por semana, é possível interromper o ciclo e evitar o nascimento de novos mosquitos.

“É importante que todos façamos a nossa parte. O mosquito se reproduz em criadouros, desde reservatórios pequenos (como vasinhos de plantas e tampinhas de garrafa) até caixas d’água, calhas e piscinas não tratadas. Assim, é preciso realizar o cuidado semanal de eliminação: tirar a água daquele local ou tampar os reservatórios”, frisa Vallandro.

Além do combate ao mosquito, é importante estar alerta para o aparecimento dos sintomas e buscar o atendimento de saúde quando necessário. Crianças e idosos requerem atenção especial. “Às vezes, os mais vulneráveis passam despercebidamente pela doença e não se dão conta. Aí, quando chegam à unidade de saúde, já estão com o quadro mais agravado”, explica o diretor do Cevs.

Cuidados básicos

  •  Vedar totalmente caixas d’água;
  • limpar calhas, retirando folhas e sujeira, para evitar acúmulo de água;
  • limpar ralos e aplicar tela para evitar a formação de criadouros;
  • limpar bandejas de ar-condicionado ou descartá-las;
  • vedar totalmente galões, tonéis, poços, latões e tambores, inclusive aqueles usados para água de consumo humano;
  • esticar lonas para evitar acúmulo de água;
  • tratar piscinas e fontes com produtos químicos específicos;
  • guardar, em locais cobertos, objetos como pneus;
  • armazenar garrafas vazias com a boca para baixo;
  • virar baldes com a boca para baixo;
  • tampar vasos sanitários fora de uso ou de uso eventual, renovando a água semanalmente;
  • esvaziar os pratos dos vasos de plantas ou preenchê-los com areia;
  • esvaziar a água acumulada na bandeja da geladeira;
  • esvaziar a água acumulada semanalmente de algumas plantas, como espada-de-são-jorge e bromélias (que podem acumular água entre as folhas)

Principais sintomas

  •  Febre alta (39°C a 40°C), com duração de dois a sete dias;
  • dor retroorbital (atrás dos olhos);
  • dor de cabeça;
  • dor no corpo;
  • dor nas articulações;
  • mal-estar geral;
  • náusea;
  • vômito;
  • diarreia;
  • manchas vermelhas na pele, com ou sem coceira.

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