CAMPEONATO GAÚCHO

Crônica de Inter 1 x 0 Avenida: as metamorfoses da Casa Vermelha

Após a partida, Coudet falou com os jornalistas e comentou o início de temporada da equipe

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Wanderson decidiu para o Inter no Beira-Rio/Foto: Ricardo Duarte

Se ontem (20), acompanhei Caxias e Grêmio com Jorge, o Gremistão, o domingo foi de estreia do Inter no Campeonato Gaúcho. Em uma tarde de sol alto e vibrante, o colorado recebeu o Avenida, no Beira-Rio. Estádio vazio devido à punição sofrida após a eliminação para o Caxias no ano passado.

Apesar da condição de aposentado, eu voltava para Porto Alegre na Freeway durante o jogo e a família não queria saber de futebol. Ouviam música pop e eu achava divertido. Relato como soube do resultado, pois quando se faz um conto, o espírito fica alegre, o tempo escoa-se, o conto da vida acaba, sem a gente dar por isso.

Deixei para saber do jogo já na chegada à Capital, quando subi ao andar onde moro e cruzei por meu vizinho, o Joaquim. Jornalista da velha guarda, já não trabalha em nenhum veículo. Mas mantém o costume de acompanhar as notícias do Colorado, clube que, findada sua passagem pela imprensa, pode dizer que é o do seu coração. Muito por isso, admira-lhe os “identificados”, que ganham a vida sem censurar a paixão.

– E então, Joaquim. Como está teu espírito com a estreia? – perguntei, já no aguardo de sua acidez, às vezes um tanto pesada. Típica de jornalista. Típica de colorado.

– Jogo lento. Time com a perna pesada, ainda não voltaram bem das férias. Primeiro tempo poderia ter gol do Avenida – disse, até que ponderado.

Mais tarde dei uma olhada nos lances e, realmente, poucos atrativos teve a partida. Mas o gol do Inter, aos 24 do segundo tempo, foi uma bela jogada. Renê cruzou da esquerda, Enner Valencia ajeitou de cabeça e Wanderson cabeceou para o gol. Uma trama com cara de 2023. Até por isso resolvi perguntar das estreias – o goleiro Ivan, o zagueiro Robert Renan, o meia Hyoran e o centroavante Lucas Alario.

– Ninguém apareceu muito. Pena só o goleiro, Ivan. Saiu machucado e ao que tudo indica é lesão grave no joelho – lamentou.

– Que lástima – concordei – mas de modo geral a direção está agindo, não?

– Finalmente – murmurou – Inter está com dinheiro.. Está vindo o Borré.

– Ah, é?

– Sim, uma via láctea de algarismos, dizem minhas fontes

A porta do apartamento de Joaquim estava entreaberta. Ao fundo começava na televisão a coletiva de Eduardo Coudet. Notei seu interesse, mas encaminhei a conclusão do assunto, até porque ele simulava dar pouca importância para as palavras do “Chacho”.

– Inter viveu muito tempo com o peso da “Era Carvalho” nas costas. Antes disso, durante anos o Beira-Rio foi um deserto onde passavam camelos, a suportar toda carga de dever obedecer ao passado. Barcellos tentou ser um Leão, enfrentando esta força. Houve reveses fortes, trazendo temores na eleição, mas o poder de uma geração manteve a ideia. Agora, ele pode se esbanjar – opinei, cedendo a minha verve, que aparece volta e meia, inesperadamente.

Joaquim não quis ficar para trás e também sentenciou.

– O vizinho defendeu a tese com tanta eloquência que devo concordar. Acrescento apenas que é preciso ver para crer na mudança na “Casa vermelha”. Foram muitas derrotas toscas. Por lá passaram uns com mania de grandeza, achavam-se estrelas d’alva. Outros profetas do fim do mundo. É preciso descobrir a causa do fenômeno e o remédio universal.

Assenti com a cabeça ao comentário do amigo. Sua reação foi manter o metal de seus olhos duro, liso, eterno, com a fronte quieta como a água do Guaíba. Mesmo assim provoquei:

– Gauchão cura Libertadores?

– Não há remédio certo para as dores da alma; a torcida definhou pós eliminação, mas dá-lhe o Gauchão, e ela se consola.

– Melhor olhar para frente, não?

– Há quem fite o presente, com todas as suas lágrimas e saudades, enquanto outros devassam o futuro com todas as suas auroras.

– Tirou as palavras da minha boca – me despedi com um abraço. Joaquim foi ver o Coudet.

Coletiva de Coudet

Como era de se esperar, Coudet enfatizou o início de temporada como causa de um rendimento não tão bom da equipe. “Dentro do que achava e do que achava você”, disse interpelando o repórter.

Falando de modo mais específico, Coudet mencionou que a equipe só conseguiu fazer “25 minutos coletivo”. “Preparação é o mais importante. Iremos poupando e se seguir ganhando, melhor”, definiu.

Coudet mencionou uma informação que, mais tarde foi confirmada pela assessoria do Inter. O goleiro Ivan, que precisou ser substituído ainda no primeiro tempo, teve confirmado rompimento do ligamento cruzado do joelho direito e está fora por tempo indeterminado.

Coudet disse que nunca pensou em deixar o Inter. Afirmou estar feliz no Colorado e aconselhou a torcida: “Não consumam m****, estamos fazendo o trabalho bem”. Mostrando estar por dentro da realidade do clube, o técnico argentino disse que o clube não está fazendo loucuras e que as contratações estão de acordo com as finanças.

Agenda

Próximo compromisso do Inter é contra o São Luiz. A partida será realizada na quarta-feira (24) às 19h, no 19 de outubro.

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