TECNOLOGIA NA COPA

Inteligência Artificial auxilia na melhora da capacidade visual de atletas na Copa do Mundo

Oftalmologista explica que vitórias de seleções emergentes têm relação com avanço da tecnologia

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Toda Copa do Mundo tem suas favoritas. Nas projeções iniciais, todos esperam grandes confrontos entre seleções com títulos mundiais no currículo. Mas se fosse assim, não seria o futebol. Só nesta edição de 2022, já tivemos desclassificações das tradicionais equipes do Uruguai e da Alemanha na primeira fase, e, nesta terça-feira (6), o Marrocos eliminou nos pênaltis a Espanha.

Mas com o tempo, a ciência do futebol espanta as obras do acaso e traz para tudo uma explicação. Entre os confrontos da Copa, por exemplo, esteve a classificação da Croácia diante do Japão nas penalidades nas oitavas de final. Os asiáticos perderam três pênaltis na decisão. “Loteria”, diriam alguns. Mas para o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier, não se trata disso.

Para ele, o que explica este sucesso de equipes como a Croácia é o uso da IA (Inteligência Artificial) nos processos de preparação. “Trata-se de um banco de dados que inclui imagens em alta resolução de jogos e treinos do time adversário. Baseado nestas informações, o treinador estabelece estratégias e táticas tanto de defesa como de ataque”, explica.

A IA surge como interesse da área de Neto justamente porque ela auxilia no preparo visual dos atletas para este tipo de competição. “Melhorar a visão de jogo é necessário para ter boa visão periférica, que permite ao jogador olhar para o gol e perceber a movimentação dos outros jogadores em campo simultaneamente”, argumenta.

Mas Neto pondera que nem todo treinador aceita o uso da inteligência artificial porque a análise dos dados toma tempo. A alternativa são exercícios simples, que melhoram as habilidades visuais, inclusive de quem enxerga bem, e não acrescenta custo ao time.

Exercícios para visão periférica

Para dar conta do desenvolvimento da visão periférica sem tecnologias muito avançadas, Neto elenca alguns exercícios que podem ser praticados por qualquer atleta, seja ele profissional ou amador. Ele os coloca em três etapas.

  • A primeira é bastante similar à leitura dinâmica. Consiste em fazer a leitura, em um único golpe de vista, de várias palavras impressas a alguns centímetros de distância. Deve ser repetido diariamente durante 45 dias ou até a leitura simultânea se tornar automática.
  • A segunda já é bastante conhecida pelos jogadores. São as embaixadinhas em que o jogador chuta a bola sem deixar cair no chão ao mesmo tempo em que olha para o gol.
  • A terceira é o treino de cobrança de escanteio, em que no momento do chute o jogador tem de girar a cabeça para o lado oposto e ler palavras escritas em uma tabuleta.

Mas Neto salienta que “embora façam grande diferença em campo, os exercícios não eliminam a necessidade de acompanhamento médico, nem substituem os óculos, lentes de contato ou cirurgia refrativa”, conclui.

Outras capacidades

O oftalmologista destaca que o treino ajuda a desenvolver outras habilidades visuais que auxiliam o atleta no momento da partida. O reflexo rápido em campo é uma delas. Ele permite antecipar jogadas e está relacionado à visão de contraste, que fica comprometida quando a iluminação do estádio é inadequada ou quando o jogador precisa usar lentes com grau para corrigir miopia, hipermetropia ou astigmatismo.

“O treino que melhora a visão de contraste e o reflexo consiste em identificar imagens semelhantes sobre um fundo de baixo contraste, fazendo a troca das imagens rapidamente”, pontua.

Outra valência importante é a capacidade de foco. Esta é verificada com o “teste do polegar”. O exercício consiste em levar os dois braços para frente, na altura do ombro, e posicionar os polegares na vertical. Nesta posição o foco entre as unhas dos polegares deve ser alternado, notando se ocorrem falhas na fixação.

Outra dica é que, independentemente da idade, toda pessoa tem um olho dominante, ou seja, que enxerga melhor. No campo, saber qual é seu olho dominante pode fazer toda diferença em um chute ao gol. Isso porque o jogador pode manter a visão deste olho desobstruída.

Para descobrir o olho dominante a dica de Queiroz Neto é estender os braços e formar um triângulo com os polegares e indicadores posicionando um objeto nesta janela, Em seguida fechar um olho de cada vez. O olho que mantiver o objeto alinhado na janela é o dominante e pode fazer a diferença em campo.


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