POLÍCIA CIVIL E MP

Investigações apuram atos de racismo contra o cantor Seu Jorge

Além de ouvir testemunhas, a Polícia Civil espera receber mais imagens da apresentação. Já o MP afirma que vai solicitar à direção do clube informações, mídias e demais instrumentos de prova relacionados com os fatos. 

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Começam nesta quarta-feira as oitivas, por parte da Polícia Civil, das pessoas presentes no show do cantor Seu Jorge, na última sexta-feira, no GNU (Grêmio Náutico União), em Porto Alegre. Na ocasião, o artista foi alvo de ofensas racistas por parte do público presente.

O objetivo da investigação é encontrar os autores do crime. Além de ouvir testemunhas, a Polícia espera receber mais imagens da apresentação. Tanto das câmeras de segurança do clube, quanto de quem esteve no local.

Na terça-feira, o Ministério Público do Rio Grande do Sul instaurou procedimento investigatório para apurar o caso. O MP afirma que vai solicitar à direção do clube informações, mídias e demais instrumentos de prova relacionados com os fatos.

O Ministério Público, diz, ainda, que vai acompanhar as investigações da Polícia Civil para analisar as provas e as condutas dos envolvidos. Também é cogitado o compartilhamento de provas.

Ontem, o Grêmio Náutico União emitiu uma nota, assinada pelo presidente da entidade, Paulo José Kolberg Bing. No posicionamento, a entidade diz que “está apurando internamente os fatos ocorridos em evento realizado no dia 14 de outubro, durante apresentação do cantor Seu Jorge”.

“Se for comprovada a prática de ato racista, os envolvidos serão responsabilizados. Afirmamos que o União, seguindo seu Estatuto e compromisso com associados e sociedade, repudia qualquer tipo de discriminação”, afirma o texto.

Ao fim da manifestação, o GNU afirma “que Seu Jorge foi o artista escolhido para realizar show […] considerando sua representatividade na cultura nacional e pelo reconhecimento internacional, e destacamos nosso respeito ao profissional e a seu trabalho.

Ataques racistas a Seu Jorge

O cantor Seu Jorge se apresentou no Grêmio Náutico União na noite de sexta-feira (14). O show onde ocorreram os ataques era de reinauguração do Salão União, que passou por reformas.

Relatos de pessoas presentes dão conta de que o crime de racismo contra o cantor teria ocorrido na hora do chamado “bis”, quando o artista sai do palco e retorna para uma última música. Antes disso, Seu Jorge havia citado uma música dos Racionais MC’s e feito um comentário sobre maioridade penal. Os ataques ocorrem na sequência destas manifestações. Em seguida, Seu Jorge retornou ao palco, falou sobre amor e apenas agradeceu.

Também veio a público um vídeo do momento da apresentação, ao qual a Polícia Civil teve acesso, onde é possível ouvir gritos de “macaco”, além de imitações do animal.

Em vídeo divulgado ontem, o artista disse ainda ter presenciado “muito ódio gratuito e muita grosseria racista” por parte dos presentes no clube. Por fim, ele agradeceu o apoio que recebeu e disse que a luta contra o preconceito continua.


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