O homem vai, a obra fica

David Coimbra recebe homenagem na 68ª Edição da Feira do Livro de Porto Alegre

Livro “Crônicas dos anos da peste & outras histórias”, seleciona crônicas de David Coimbra publicadas no jornal Zero Hora.

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Foto: Diego Lopes/Câmara Rio-Grandense do Livro

A Feira do Livro de Porto Alegre homenageou em um painel o jornalista David Coimbra, nesta segunda-feira (31). O jornalista, que atuou por anos nos veículos do Grupo RBS, morreu em maio de 2022, após longo tratamento contra um câncer no rim descoberto em 2013.

O painel ocorreu no Auditório Barbosa Lessa, no Espaço Força e Luz, em razão do lançamento do livro do escritor Ivan Pinheiro Machado “Crônicas dos anos da peste & outras histórias”, que seleciona crônicas publicadas no jornal Zero Hora pelo colunista. A homenagem contou com a presença de Pinheiro Machado, dos jornalistas Luciano Potter e Juremir Machado da Silva, além da esposa e do filho de David Coimbra.

“Ele tratou da doença, nos textos, de uma forma não dramática. O homem vai, a obra fica”, explicou o autor. Ele detalhou que dividiu a obra de crônicas em três fases: o tratamento em Boston, a pandemia e a reta final de vida de David. Juremir, no bate-papo, trouxe uma análise técnica dos textos do colega: “Regularidade. A pessoa saia de um texto e ia para outro e era uma coisa impressionante, o nível alto se mantinha. Regularidade. Uma qualidade muito grande”, explanou.

Potter, em certo momento, ao rememorar momentos com o amigo tentou dimensionar a ausência de David: “O que a gente mais sente falta, para além da convivência, é saber a opinião dele sobre as coisas. Como queria saber a opinião dele sobre política, sobre o mundo agora. O que ele escreveria?”, questionou.

Juremir contou o cerne da amizade com o jornalista. “Três de agosto de 1980. Primeiro dia de aula na faculdade de jornalismo. Ali começou uma amizade. Um dos maiores que conheci”, disse. Ele ainda ressaltou o empenho técnico e pessoal de David ao detalhar sua batalha contra o câncer em suas crônicas. “David teve uma grande dignidade, capacidade de falar da doença. Coisa dos grandes, eu não teria essa força, coragem e capacidade. A despedida dele foi uma despedida de grande literatura”, categorizou.

Programação

Ainda na programação da 68ª Edição da Feira do Livro de Porto Alegre está prevista outra homenagem ao jornalista, que faleceu em maio. No dia 14 de novembro, às 18h, no Teatro Carlos Urbim, na Praça da Alfândega, um sarau será realizado para tratar do legado literário de David. Participam os jornalistas Diogo Olivier, Paulo Germano, Luciano Potter e Tulio Milman, com a mediação de Kelly Matos. Com o título A Vida É Boa — Crônicas e Causos para Lembrar David Coimbra, eles irão compartilhar memórias e trechos da obra do colega escritor.

O quarto dia de Feira, além da homenagem teve como atração a oficina “O jogo da criação poética tem regras ou não?”, no espaço Força e Luz. Conduzida pelo escritor e poeta gaúcho Ronald Augusto, a oficina contou com dezenas de participantes e teve como objetivo trazer dicas e métodos de como começar a escrever e elaborar poemas. Ronald iniciou a conversa com a pergunta “poesia se faz com o quê?”. Na sequência, detalhou: “O poema não se faz apenas com sentimentos e emoções, mas, principalmente, com palavras”. A oficina, que será realizada em dois dias, tem sua segunda etapa agendada para essa terça-feira (01), no mesmo local, às 15h.


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