DE NOVO NOS AFLITOS

Crônica Náutico 0 x 3 Grêmio: um novo Grêmio após o fim da humanidade

Diferente da “Batalha dos Aflitos”, em 2005, desta vez o jogo contra o Náutico não trouxe sustos para o Grêmio

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Pronto. Acabou. Após vacilações ao longo da temporada, o Grêmio está de volta à elite do Campeonato Brasileiro. O Tricolor venceu o Náutico, em Pernambuco, por 3 a 0, e confirmou o acesso à Série A. Agora, a imaginação das pessoas envolvidas na vida do Grêmio deixa o fantasma do martírio de lado e passa a mirar a construção do futuro.

Uma escolha que sintetiza esse processo é a permanência ou não de Renato no Tricolor. Renato, como todos sabem, é o ídolo maior do Grêmio. O eterno camisa 7, o homem gol, construiu sua carreira com um futebol de técnica e força, além de ter uma estrela que o fez estar na hora e no lugar certo em momentos decisivos.

Uma época romântica do futebol, ainda não tão dominado pelas análises excessivamente tecnicistas. Como treinador, Renato colocou essa vivência em prática. Esteve à frente do Grêmio campeão da Copa do Brasil de 2016 e da Libertadores 2017. Um time bem organizado e talentoso, que fluía com toques intuitivos de ponta à ponta do gramado.

Depois, porém, o modelo não se sustentou. As más escolhas do Grêmio vieram à tona, muitas delas vindas de Renato, e o Tricolor acabou tristemente rebaixado. O estilo “antigo” de fazer futebol ruiu e, assim, essa decadência gremista tornou-se sintoma das mudanças pelas quais passa o futebol atualmente.

No futebol moderno, todos são funcionários da “gestão”. Até mesmo o grande ídolo. O CEO exerce um papel de fidalguia sobre os demais, sendo submetido somente à lei dos números e do Capital. É o futebol hiper administrado, que transforma os estádios, não mais em arenas ao estilo romano, mas sim em locais semelhantes a shoppings centers, hotéis de praia e modernas clínicas psiquiátricas.

O torcedor médio, consumidor obediente e em busca de segurança, é a grande medida deste processo. A pessoa que acompanha o futebol está inserida nesse movimento de higienização de tudo que cerca a vida. O gosto, os afetos. Nós também nos tornamos hiper administradores de nós mesmos.

Vivemos nas academias, nas clínicas, em busca de nossa vocação e de nosso sucesso. Voltando, Renato seja talvez ainda de um mundo onde o desenvolvimento individual se dá de modo mais humanizado. Agora sabe-se lá o que a quarta revolução industrial, com a biotecnologia, a engenharia genética e tudo mais, fará dos corpos das pessoas.

Processo relacionado com o Capital que, a partir da disparidade que estabelece, acentua as desigualdades entre as pessoas, e transpassa a sociedade. Logo tem a ver com o futebol, e com o futuro do Grêmio. Resta saber o que será feito do ódio, da culpa e do ressentimento.

O jogo

Diferente da “Batalha dos Aflitos”, em 2005, desta vez o jogo contra o Náutico não trouxe sustos para o Grêmio. A equipe da casa até ensaiou uma tentativa de enfrentamento nos minutos iniciais, mas depois o jogo foi do Tricolor gaúcho.

Aos 25, Bitello abriu o placar para o Grêmio. O jovem jogador gremista arrematou lance em que o goleiro Bruno deu rebote em chute de Léo Gomes. O jogo foi para o intervalo já com a sensação de missão cumprida.

Na etapa final, aos poucos o Grêmio foi fazendo mais gols e estabelecendo a tranquilidade de forma definitiva. Aos 18, foi a vez de Lucas Leiva marcar. E com passe do nome do jogo: Bitello. O VAR analisou o lance, mas o gol foi confirmado.

Com situação definida, o Tricolor cadenciava e, mesmo assim, houve tempo para o terceiro gol. Aos 21, de novo Bitello. Guilherme recebeu na esquerda, trouxe para o meio e bateu cruzado. O goleiro deu rebote e Bitello pôs nas redes.

Então foi só administrar. Após a partida, o clima não era de euforia extrema como em 2005. Porém, não há dúvida de que agora a torcida gremista está mais leve e na expectativa para o ano que vem.

Situação e próximo jogo

O Grêmio é vice-líder com 61 pontos e não pode mais ser ultrapassado pelo primeiro time fora do G-4. Agora o Tricolor gaúcho tem ainda dois jogos pela Série B.

Na sexta-feira (28), o Grêmio enfrenta o Tombense, em Muriaé, às 21h30. Depois, já no domingo (6), o Tricolor encerra sua passagem pela segunda divisão contra o Brusque, na Arena. A partida será realizada às 18h30.

Escalações

Náutico

Bruno Lopes; Anilson, Arthur Henrique, João Paulo e João Lucas; Djavan, Ralph, Victor Ferraz (Julio Vitor); Everton Brito (Pedro Vitor), Geovânio e Julio (Richard Franco) –4-3-3Técnico: Dado Cavalcanti

Grêmio

Brenno; Leonardo Gomes, Geromel (Bruno Alves), Kannemann (Thiago Santos) e Diogo Barbosa; Villasanti, Bitello (Elkeson), Thaciano (Campaz), Lucas Leiva (Lucas Silva), Guilherme; Diego Souza –4-5-1Técnico: Renato Portaluppi

Arbitragem

Árbitro: Jefferson Ferreira de Moraes (GO)
Auxiliar: Cristhian Sorence (GO)
Auxiliar: Hugo Sávio Corrêa (GO)
VAR: Elmo Resende (GO)


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