MANDATO RELÂMPAGO

Após 44 dias, Liz Truss renuncia ao cargo de primeira-ministra do Reino Unido

A passagem relâmpago de Liz Truss por Downing Street é o menor mandato de um primeiro-ministro na história britânica.

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Foto: reprodução / BBC News

A primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, do Partido Conservador, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (20), cerca de um mês e meio após ter assumido a chefia do governo britânico. A passagem relâmpago de Truss no número 10 de Downing Street é o menor mandato de um primeiro-ministro na história britânica.

Liz Truss começou sua declaração de renúncia dizendo que assumiu o cargo “em um momento de grande instabilidade econômica e internacional” por causa da “guerra ilegal de Putin”. No discurso, ainda elencou que seu governo “reduziu as contas de energia” e cortou o seguro nacional, além de promover “visão para uma economia com impostos baixos e alto crescimento que tiraria vantagem das liberdades do Brexit”.

No entanto, rapidamente o governo entrou em crise por causa de um projeto de corte bilionário de impostos para os mais ricos, aliado a subsídios para contas de energia, ideia que foi criticada até pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e que causou o derretimento da libra esterlina. Ao mesmo tempo, Truss perdeu dois ministros importantes e a confiança de quase todos os seus próprios colegas de parlamento.

Truss disse que conversou com o rei Charles III para notificá-lo de que está renunciando ao cargo de líder do Partido Conservador. Uma nova eleição interna dos Conservadores está marcada para ocorrer na próxima semana.

“Isso garantirá que continuemos no caminho certo para cumprir nossos planos fiscais e manter a estabilidade econômica e a segurança nacional de nosso país. Permanecerei como primeiro-ministro até que um sucessor seja escolhido”, concluiu Truss.

Truss havia tomado posse como premiê em 6 de setembro, após ter sido eleita como líder do Partido Conservador, que detém a maioria no Parlamento britânico, superando o ex-chanceler do Tesouro Rishi Sunak na votação entre os militantes da legenda.

Em alta nas pesquisas, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, já pediu a convocação de eleições antecipadas, mas os conservadores devem rejeitar a medida para não perder espaço no Parlamento. Derrotado por Truss em setembro, Sunak é um dos cotados para substituí-la.

Liberais-Democratas e Trabalhistas pedem eleições gerais

Dois dos principais partidos políticos do Reino Unido, o Liberal-Democrata (Lib-Dems) e o Trabalhista (Labour), pediram que sejam convocadas eleições gerais no Reino Unido. O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, disse que “o Partido Conservador mostrou que não tem mais mandato para governar”.

A mesma posição foi defendida pela primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon. “Não há palavras para descrever adequadamente esta confusão total. Está além da hipérbole – e paródia. A realidade é que as pessoas comuns estão pagando o preço. Os interesses do partido conservador não devem preocupar ninguém agora. Uma eleição geral é agora um imperativo democrático”, afirmou.


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