Crônica Grêmio 2 x 1 Vasco: Renato e o delírio das massas

Tricolor saiu perdendo nos primeiros minutos de jogo, mas em seguida conseguiu a virada. No retorno do ídolo, 2 a 1 e festa na Arena

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O futebol, a política e a cultura pop de modo geral, são fenômenos que envolvem a persuasão das multidões. Nesse sentido, os ídolos do esporte têm algo em comum com os artistas, com os caudilhos e os mártires.

Trata-se de, a partir de um profundo processo de identificação, gerar um sentimento de afeição entre o público e o símbolo. De modo que esse conduza as opiniões, atitudes e sonhos de seus súditos.

Por sua história de feitos, Renato Portaluppi se tornou o rei do Grêmio. E, devido a esta condição, volta ao comando técnico do Tricolor gaúcho, não só para recolocar o time nos trilhos, como também para reatar laços entre o clube e a massa até então insatisfeita com o trabalho de Roger Machado.

Desta vez, sua missão é mais inglória. Na tarde deste domingo (11), Renato estreou mais uma vez como técnico gremista, na Arena, contra o Vasco, com a tarefa de colocar o Grêmio de novo na Série A.

E, como era de se esperar, a massa tricolor, encantada por seu ícone maior, compareceu em peso ao estádio para apoiar o time. Mais de 50 mil gremistas criaram um clima de festa, todos dispostos a, juntos, levar de volta o Grêmio à elite.

Com a bola rolando, de início, a realidade vacilante do Tricolor dos últimos tempos ensaiou se mostrar. Mas, em seguida, os ventos, os místicos ventos do futebol, voltaram a soprar a favor do Grêmio, e a equipe gaúcha conseguiu a virada. Ares messiânicos em uma bela tarde de domingo na Arena.

Primeiro tempo

Dentro de campo, os primeiros minutos fizeram parecer que a equipe carioca estragaria a festa do ídolo. Léo Matos abriu o placar para o Vasco. Pouco depois, Campaz sentiu a posterior da coxa e teve de ser substituído por Thaciano.

Mas a aura de Renato, pouco a pouco, prevaleceu. Aos 9, Bitello arriscou um chute sem muita potência, mas a bola desviou no defensor vascaíno, enganou o goleiro Thiago Rodrigues e entrou. Minutos depois, em um contra-ataque, Biel encontrou Thaciano, que fez o gol da virada. Festa na Arena.

O Grêmio se empolgou e ainda teve uma bola no travessão, com Bitello, aos 22. Na sequência, Thaciano recebeu na área e também quase ampliou.

Mas foi na parte defensiva que a estrela de Renato fez-se ver. E em dois chutes de Nenê. Primeiro aos 29, em um canhotaço muito de perto, que exigiu milagre de Brenno. Depois, em uma cobrança de falta, no último lance da etapa inicial, a bola tocou a trave e saiu.

Segundo tempo

O jogo foi mais brigado do que jogado na segunda etapa. Houve tempo para mais uma grande defesa de Brenno em um lance de escanteio, que Andrey Santos cabeceou exigindo um voo do goleiro gremista.

O Grêmio somente pediu um pênalti em Lucas Leiva, aos 30. Porém o árbitro julgou lance normal de disputa.

Renato optou por resguardar mais a equipe, inclusive levando mais volantes a campo. O Vasco teve mais a bola, mas não ameaçou.

No último minuto, Biel ainda perdeu boa chance para o Grêmio.

Coletiva

Em sua fala, Renato disse que evitou mudar a equipe para aproveitar o entrosamento do grupo. O diferencial, para o técnico gremista, foi a entrega. “Acima de tudo a entrega, a motivação, e isso sobrou hoje, e ao meu entender foi a melhor atuação do Grêmio”, disse o treinador.

Em seguida, Renato destacou o papel da torcida. “Quero parabenizar nosso torcedor, eles deram uma aula de incentivo que o grupo estava precisando”, salientou. E concluiu dizendo que “o objetivo nosso e do torcedor é o mesmo, que é voltar para a Série A”.

Situação e próximo jogo

Com o resultado, o Grêmio vai a 50 pontos e é o terceiro colocado da Série B. O próximo jogo do Tricolor gaúcho na competição é contra o Novorizontino, em São Paulo. A partida será realizada na sexta-feira (16), às 21h30.

Escalações

Grêmio

Brenno; Edílson, Geromel, Bruno Alves e Diogo Barbosa; Villasanti e Bitello (Thiago Santos); Biel, Campaz (Thaciano depois Lucas Leiva) e Guilherme (Lucas Silva); Diego Souza (Elkeson) – 4-5-1Técnico: Renato Portaluppi

Vasco

Thiago Rodrigues; Léo Matos (Palacios), Quintero, Anderson Conceição e Edimar; Yuri (Juninho), Andrey Santos, Marlon Gomes (Figueiredo); Nenê e Alex Teixeira (Bruno Tubarão); Raniel (Fábio gomes) – 4-5-1Técnico: Jorginho

Arbitragem

Árbitro: Raphael Claus (SP)
Auxiliar: Danilo Ricardo Simon (SP)
Auxiliar: Alex Ang Ribeiro (SP)
VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP).

 

 


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