PNAD aponta menor renda mensal no Brasil desde 2012 e acentuação das desigualdades no País

Pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira (10) pelo IBGE

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O rendimento médio mensal domiciliar do brasileiro caiu 6,9% em 2021. O valor passou de R$ 1.454 em 2020 para R$ 1.353 no ano passado. Este é o menor valor da série histórica, iniciada em 2012, da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua: Rendimento de todas as fontes 2021, divulgada nesta sexta-feira (10) pelo IBGE.

Segundo a analista da pesquisa, Alessandra Scalioni, “Esse resultado é explicado pela queda do rendimento médio do trabalho, que retraiu mesmo com o nível de ocupação começando a se recuperar, e também pela diminuição da renda das outras fontes, exceto as do aluguel”, explica. E conclui atribuindo também à mudança nos critérios de concessão do auxílio-emergencial ocorridas em 2021 como uma das principais causas da queda no rendimento de outras fontes.

Mesmo fazendo a média dos rendimentos, a pesquisa também mostra a desigualdade de renda no país em 2021. O índice de Gini do rendimento médio mensal domiciliar por pessoa aumentou em 2021, voltando ao patamar de dois anos antes (0,544). Quanto maior o Gini, maior a desigualdade.

Em 2021, a queda do rendimento mensal por pessoa foi disseminada entre as classes, porém, foi maior entre as faixas com menor rendimento. Entre os 5% de menor renda (R$ 39) caiu 33,9% e entre os de 5% a 10% (R$ 148) caiu 31,8%. Já entre o 1% com maior renda (R$ 15.940) caiu 6,4%. Logo, no outro lado, em 2021, o 1% da população brasileira com renda mais alta teve rendimento 38,4 vezes maior que a média dos 50% com as menores remunerações.

Por Região

Entre 2020 e 2021 ainda, a desigualdade aumentou em todas as regiões, sobretudo no Norte e no Nordeste. Isso porque, entre outras razões, nessas regiões o recebimento do auxílio-emergencial atingiu maior proporção de domicílios durante a pandemia de COVID-19.

Norte e Nordeste foram as regiões que apresentaram os menores valores (R$ 871 e R$ 843, respectivamente) e também as maiores perdas entre 2020 e 2021 (de 9,8% e 12,5%, nessa ordem). Já as regiões Sul e Sudeste se mantiveram com os maiores rendimentos (R$ 1.656 e R$ 1.645, respectivamente).

Por tipo de rendimento

O módulo de rendimento da PNAD Contínua divulgou, ainda, que em 2021, dois tipos de rendimento chegaram ao menor valor médio mensal da série histórica: Aposentadoria e Pensão (R$1.959) e Outros rendimentos (R$ 512). Desta forma, o item “Outras fontes”, que engloba, além desses , Aluguel e arrendamento (R$ 1.814) e Pensão alimentícia, doação e mesada de não morador (R$ 667), teve média de R$ 1.348, também atingindo o valor mais baixo da série.

Para a analista da pesquisa, Alessandra Scalioni, a inflação ajuda a explicar essas quedas. “Os valores da aposentadoria acompanham o reajuste do salário-mínimo e grande parte dos aposentados ganha o piso. Como os reajustes não estão compensando a inflação, é natural essa perda de valor”, afirma. Já o item outro rendimento também é explicado com as alterações nas concessões e nos valores do auxílio-emergencial.


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