Polícia Federal e associações indígenas negam localização dos corpos de jornalista e indigenista desaparecidos

Eles estão desaparecidos há mais de uma semana na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas.

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Bruno Araújo Pereira, da Funai e o jornalista inglês Dom Phillips desapareceram na Amazônia. Fotos: Reprodução

A Polícia Federal e associações indígenas negaram a localização dos corpos do jornalista britânico Dom Philips, e do indigenista Bruno Pereira. Eles estão desaparecidos há mais de uma semana na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas.

A mulher do jornalista britânico Dom Philips, Alessandra Sampaio, afirmou que recebeu uma ligação nesta segunda-feira (13) afirmando que os corpos haviam sido encontrados. A informação foi  divulgada pelo jornalista André Trigueiro, da GloboNews, nesta segunda-feira (13).

“Alessandra, mulher de Dom Phillips, acaba de me informar que foram encontrados os corpos do marido e do indigenista Bruno Pereira”, escreveu Trigueiro em sua conta no Twitter às 8h54. A associação indígena que denunciou o desaparecimento dos dois também não confirmou a localização dos corpos.

Pouco depois, o jornalista informou que Alessandra voltou a fazer contato “informando que os corpos precisam ser periciados” e que a embaixada britânica “já havia comunicado aos irmãos de Dom Phillips que eram os corpos do jornalista e do indigenista”.

Agora, espera-se a realização da perícia para confirmar se os corpos são do jornalista e do indigenista.

Phillips e Pereira sumiram no dia 5 de junho no Vale do Javari e, desde o sumiço, grupos locais organizados e indígenas começaram a fazer buscas. Depois, foi a vez da Marinha, da Polícia Federal e dos bombeiros entrarem na operação.

No fim deste domingo (12), a PF informou que encontrou diversos pertences dos dois desaparecidos, como um laptop, um cartão de saúde e roupas de ambos, além de uma mochila.

Já a União do Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) informou que localizou uma segunda embarcação suspeita na área no sábado (11) e que pode estar ligada ao pescador Amarildo Costa de Oliveira, único suspeito preso até o momento pelo desaparecimento dos dois.

Pereira, que é funcionário licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai) e atuava com a Univaja na região, e Phillips, jornalista colaborador do The Guardian, visitaram a localidade do Lago do Jaburu em 3 e 4 de junho para entrevistas com indígenas. Eles deveriam ter voltado à cidade de Atalaia do Norte na manhã de 5 de junho, mas não deram mais notícias desde que saíram na comunidade ribeirinha São Rafael.

Testemunhas afirmam que o barco em que os dois estavam foi perseguido por uma lancha de Amarildo pouco antes do desaparecimento. Marcas de sangue foram encontradas na embarcação e agora passam por perícia.

Pereira era alvo frequente de ameaças de pescadores e garimpeiros que atuam ilegalmente na região, que é uma das que mais tem índios isolados no mundo. Já Phillips estava produzindo um livro sobre a atuação desses grupos criminosos na região.


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