Paralisação: Santa Casa integra movimento em defesa do SUS e sobrevivência das instituições filantrópicas

A pandemia agravou consideravelmente a situação financeira devido ao aumento de insumos, medicamentos, materiais, por exemplo.

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Com o lançamento da campanha Chega de Silêncio, coordenada pela Confederação das Misericórdias do Brasil, gestores e profissionais das 1.824 Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do país realizam uma mobilização nacional para trazer à tona a crise que vem sendo enfrentada pela maior rede hospitalar do SUS (Sistema Único de Saúde).

Responsáveis por mais de 51% dos atendimentos aos pacientes do SUS no país, chegando até 70% em alguns tipos de atendimentos, as Santas Casas e hospitais filantrópicos têm um déficit anual superior a R$ 10 bilhões na assistência que prestam ao SUS.

“Chegamos a uma situação de extrema gravidade que nos obriga a romper o silêncio e expor a profunda crise da maior rede hospitalar do SUS. Esta é uma crise de toda a sociedade, do país, e não será unicamente com o esforço das próprias instituições que ela será superada, pois são 30 anos de silêncio que nos trouxeram a esta condição sem precedentes na história de 479 destas instituições”, disse Julio Matos,  diretor geral da Santa Casa de Porto Alegre

De acordo com dados da Confederação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas, desde o Plano Real o SUS e seus incentivos tiveram uma média de reajuste de apenas 93,77%, enquanto que o INPC foi de 636%.

Segundo Matos, o SUS paga R$ 480 por leito aos hospitais e, durante a pandemia, o valor aumentou para R$ 1,6 mil para leitos Covid.

“Este descompasso brutal representa R$ 10,9 bilhões por ano de desequilíbrio econômico e financeiro na prestação de serviço ao SUS, de todo o segmento”, afirmou Matos.

A preocupação em manter o trabalho tem, agora, outro alerta: tramita na Câmara Federal, com votação prevista para os próximos dias, o projeto de lei 2564/20, originário e aprovado no Senado, e que institui o piso salarial da enfermagem. O impacto da proposta para os hospitais filantrópicos é estimado em R$ 6,3 bilhões.

“Embora sejamos a favor da demanda da categoria, que é absolutamente legítima, se não houver políticas imediatas, consistentes, de subsistência para estes hospitais, dificilmente suas portas se manterão abertas e a desassistência da população é fatal”, concluiu o diretor da Santa Casa.

Ações

Entre as principais ações da campanha, está prevista uma paralisação no próximo dia 19 de abril, quando serão canceladas todas as consultas eletivas do SUS, mantendo-se apenas o atendimento de emergências.

Neste mesmo dia, às 11h, um Ato de Mobilização será realizado em frente ao Hospital da Criança Santo Antônio da Santa Casa (Rua Sarmento Leite, 77), reunindo lideranças, dirigentes e profissionais do setor filantrópico do estado, autoridades e representantes da classe política e da sociedade civil.

A ideia é que a população se integre na defesa do SUS. Na semana seguinte, a pauta será levada para Brasília por cerca de seis mil prefeitos, num dia de audiências com o governo federal.

 


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