Rússia lança operação contra a Ucrânia e tropas avançam em direção de Kiev

Ataques contra a Ucrânia começaram na madrugada. Governo de Kiev fala que seus militares “estão reagindo contra a agressão de Moscou”. Em discurso, Vladimir Putin fez ameaças contra quem tentar impedir conflito. 

Compartilhe:
Prédio danificado durante os bombardeios russos. Foto: reprodução de vídeo / BBC News

A Rússia lançou, nesta quinta-feira (24), uma operação contra a Ucrânia, com ataques de mísseis e explosões perto das principais cidades. Tropas russas avançam em direção à capital, Kiev. Helicópteros atacaram o aeroporto militar de Gostomel, que fica a 23 quilômetros da capital ucraniana. Em discurso, Putin fez ameaças e afirmou que quem tentar interferir no processo vai sofrer consequências sem precedentes.

Nas últimas horas, foram registrados confrontos militares em quase toda a extensão da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia, segundo a BBC. O governo de Kiev fala que seus militares “estão reagindo contra a agressão de Moscou”. A agência russa Interfax, por outro lado, afirma que os militares ucranianos abandonaram seus postos ao longo de toda a fronteira e que não houve resistência.

Há relatos extraoficiais de mortes e mais de 50 feridos em território invadido, mas o governo ucraniano cita apenas 18 pessoas feridas após explosões da artilharia russa. Os militares ucranianos dizem que mataram cerca de 50 “ocupantes russos” e “abateram pelo menos seis aeronaves russas”. A informação não foi verificada de forma independente pelas agências de notícias ucranianas ou europeias. O governo de Moscou nega a informação.

O Ministério do Interior da Ucrânia informou por volta das 10h da manhã, no horário de Brasília, que um avião militar das forças armadas do país, que tinha 14 pessoas a bordo, caiu entre Zhukivtsi e Trypillia, no distrito de Obukhiv, no sul de Kiev. A queda causou a morte de cinco pessoas.

Moradores estão fugindo em busca de segurança, em meio a temores de que as forças russas ataquem a cidade. As rotas de fuga são em direção a outros países do leste europeu e, segundo cálculos da União Europeia, mais de um milhão de pessoas podem chegar a essas nações nos próximos dias. Polônia, Romênia e Hungria já anunciaram planos para receber os ucranianos de maneira emergencial.

Imagens da TV ucraniana mostram um condomínio residencial parcialmente danificado por causa de uma explosão de míssil em Chuguev, a cerca de 40 quilômetros da cidade de Kharkiv. A Ucrânia diz que alguns de seus centros de comando militar foram atingidos por ataques de mísseis russos. Num deles, no Centro de Kiev, um incêndio foi registrado em frente ao prédio, mas a estrutura parecia intacta.

Em discurso, Putin fez ameaças e afirmou que quem tentar interferir no processo vai sofrer consequências sem precedentes. A TV estatal oficial Rossiya 1 começou um boletim de notícias dizendo: “Hoje a Rússia iniciou uma operação militar especial destinada a proteger as pessoas que nos últimos oito anos foram submetidas a abusos e genocídios pelo regime de Kiev”.

Reação europeia

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, diz que o presidente russo, Vladimir Putin, desencadeou um “ato de agressão desenfreado e imprudente” contra a Ucrânia. “Diplomaticamente, politicamente, economicamente e, de maneira eventual, militarmente, essa horrível e bárbara aventura do ditador Vladimir Putin deve acabar com um fracasso”, disse Johnson. “Esse é um ataque contra a democracia em todos os lugares. Isso é sobre o direito de um país escolher seu próprio futuro e esse é um direito que o Reino Unido sempre defenderá”, adicionou.

Mais cedo, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que aliados da América do Norte e da Europa já enviaram milhares de soldados a mais para a parte leste da aliança e colocaram mais tropas de prontidão. “Temos mais de 100 jatos em alerta máximo protegendo nosso espaço aéreo e mais de 120 navios aliados no mar, do norte ao Mediterrâneo”, disse ele. “Continuaremos a fazer o que for necessário para proteger a aliança da agressão”.

Ele convocou uma cúpula virtual de líderes da Otan amanhã para discutir qual a melhor saída para o conflito. “A Rússia agora enfrenta custos severos e consequências impostas por toda a comunidade nacional”, disse.


Compartilhe: