Polícia Civil conclui inquérito sobre desabamento que causou morte de jovem em Porto Alegre

O caso ocorreu durante uma festa, na Ilha das Flores, no dia 18 de julho desse ano. Os resultados da investigação foram apresentados durante uma coletiva de imprensa

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A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu o inquérito sobre o desabamento de um deck e a consequente morte de uma jovem de 26 anos em Porto Alegre. O caso ocorreu durante uma festa, na Ilha das Flores, no dia 18 de julho desse ano. Os resultados da investigação foram apresentados durante uma coletiva de imprensa realizada no auditório do Palácio da Polícia, a sede da polícia civil gaúcha.

O inquérito foi remetido à Justiça na última sexta-feira (10). Nele constam as informações colhidas pela investigação e os laudos do Departamento de Criminalística do IGP (Instituto-Geral de Perícias).

De acordo com as análises dos peritos, houve uma falha estrutural no deck, aliada à deterioração do madeiramento. Os técnicos criminais visitaram o local mais de uma vez, buscando vestígios e realizando análises para compreender a dinâmica do acidente. Duas vigas longitudinais de madeira, que formavam parte da estrutura se romperam, levando a sucessivos rompimentos das vigas transversais, que se apoiavam a elas.

Para a perícia, a estrutura que dava suporte ao assoalho não apresentou resistência suficiente para suportar a carga oriunda da presença de público e da tenda que havia sido instalada sobre o assoalho. Cerca de 50 pessoas estavam sobre a estrutura no momento do desabamento. As madeiras que faziam parte do deck estavam degradadas pelo ataque de agentes biológicos e intempéries. Os peritos apontaram, ainda, que havia o risco de um dano ainda maior, pois outras áreas que não desabaram também estavam deterioradas.

O colapso da estrutura causou a morte de Ana Elisa Andrade Genaro Oliveira, de 26 anos. Ela foi socorrida em estado de saúde considerado grave por paramédicos do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) naquela noite de domingo. Ana Elisa necessitou de reanimação cardiorrespiratória assim que foi retirada da água. Apesar dos esforços para estabilizar e reverter o quadro, o estado de saúde da vítima seguiu se deteriorando até a constatação do óbito. Outras 15 pessoas ficaram feridas no incidente, sendo que duas destas ainda aguardam laudo complementar de possível lesão grave.

Após a realização de 47 depoimentos, perícias e análise documental, a Polícia Civil concluiu pelo indiciamento da proprietária do imóvel, do gerente e de seu locatário pelos crimes de homicídio doloso e lesões corporais, ambos na modalidade dolo eventual. Também foram indiciados o organizador da festa e um bombeiro civil por homicídio e lesões culposas.

Ainda, entre as cerca de 80 pessoas que estariam participando do evento, 38 foram identificadas e indiciadas com base no artigo 268 do Código Penal, por descumprimento das medidas sanitárias preventivas contra a Covid-19.


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