Quatro cidades do RS registram novos focos de morcegos causadores da raiva

Morcegos podem se instalar em cavernas, fornos de fumo, casas abandonadas, árvores ocadas e nos bueiros de ferrovias e rodovias.

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Os municípios de Santo Antônio das Missões, Guabiju, Sertão Santana e São Lourenço do Sul registraram novos focos de raiva herbívora.

A Secretaria da Agricultura emitiu um alerta sanitário na última semana sobre o aumento do número de casos. De janeiro a junho de 2021, o Programa de Controle da Raiva Herbívora contabilizou 21 focos de raiva em 17 municípios, contando estes últimos registros, e uma possível evolução de focos em mais 28 cidades gaúchas.

De acordo com o coordenador do Programa, Wilson Hoffmeister Júnior, os oito núcleos de controle da Secretaria estão em alerta e verificando as notificações diariamente para identificar e capturar os morcegos hematófagos, causadores da raiva herbívora e que atacam principalmente o rebanho.

“A maior incidência de casos neste ano se dá na mesorregião de Ijuí, na fronteira com a Argentina, envolvendo os municípios de Garruchos, São Nicolau, Pirapó e Santo Cristo. E também há registro de focos na região de Guaíba, envolvendo os municípios de Sertão Santana, Mariana Pimentel, Canguçu e São Lourenço”, destaca Hoffmeister Júnior.

O foco de Itacurubi

Em Itacurubi, segundo a Secretaria da Agricultura, o foco de raiva herbívora levou à mortalidade de diversos bovinos numa propriedade às margens do rio Icamaquã.

“Este foco é, provavelmente, originário de dois focos de raiva herbívora que ocorreram em Garruchos e São Nicolau, e que tem como característica uma evolução através dos cursos d´água”, afirma o fiscal estadual agropecuário Augusto Scheeren.

E esta, segundo ele, era uma área silenciosa, porque não tinha nenhuma notificação de agressão e muito menos de mortalidade de animais na região.

De acordo com Scheeren, uma das dificuldades neste tipo de trabalho é a localização dos refúgios dos morcegos hematófagos, por isso é preciso a participação ativa dos proprietários rurais na identificação, ainda mais se a área for muito extensa.

“É um trabalho que precisa do apoio dos proprietários para fazer a identificação dos locais e a notificação das mordeduras no rebanho”, diz.

Os técnicos conseguiram localizar a colônia em ocos de árvores e a captura foi feita.

Migração 

De acordo com o fiscal estadual agropecuário José Vitor Piazer, de Jaguari, que faz parte da equipe de Controle de Raiva Herbívora desde 2018, nesta época do ano é mais comum o aumento do número de casos.

“Os morcegos costumam migrar neste período, procurando novos refúgios, que garantam um abrigo melhor, com temperaturas mais amenas e com água, para sua sobrevivência”, destaca.

E eles podem se instalar em qualquer lugar: cavernas, fornos de fumo, casas abandonadas, árvores ocas e bueiros de ferrovias e rodovias.

Piazer diz que desde 2015 o município de Jaguari não registra novos focos. Segundo ele, isto se deve principalmente ao controle da população de morcegos e à vacinação.

“A vacina contra a raiva não é obrigatória, mas é eficiente no combate à raiva. O produtor deve aplicar uma dose e depois de 21 a 30 dias o reforço”, ressalta a Secretaria da Agricultura.

As notificações de suspeita de raiva no rebanho também aumentam nesta época. Só nesta segunda-feira (28), Piazer atendeu duas notificações de produtores: uma em Jaguari, que não se confirmou, e outra em Nova Esperança.

“As principais recomendações para os pecuaristas são: não tentar capturar os morcegos por conta própria e comunicar imediatamente a localização destes refúgios à Inspetoria ou ao Escritório de Defesa Agropecuária do seu município”, completa a Secretaria.


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