Tecnologia da UFRGS é alternativa para fornecimento de água potável a partir da luz solar

A ideia surge como alternativa mais efetiva e barata para o abastecimento de água em regiões periféricas

Compartilhe:

Um grupo de cientistas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) desenvolveu uma tecnologia para tratar a água em fluxo contínuo a partir da luz solar. A ideia surge como alternativa mais efetiva e barata para o abastecimento de água em regiões periféricas. Projeto resultou na primeira patente verde da Universidade.

O trabalho do PPGMAA (Programa de Pós-Graduação em Microbiologia Agrícola e do Ambiente) torna mais eficiente um método já conhecido, chamado SODIS (do inglês, solar water disinfection, ou desinfecção solar da água). Neste, através do uso de garrafas PET, ou outros recipientes transparentes, é possível matar microrganismos presentes na água a partir da exposição do líquido ao sol por pelo menos seis horas. O problema é que o volume gerado nesse procedimento é baixo.

A vantagem deste sistema inventado pela UFRGS é que nele o trabalho é constante, gerando um volume maior. A tecnologia também se mostra mais adaptável, tanto por sua dimensão e forma de instalação. Ele pode ser colocado no local de captação de água sem necessidade de energia elétrica e com baixo custo.

Solução para as periferias

O trabalho fez parte do mestrado e está tendo continuidade no doutorado do pesquisador moçambicano Beni Chaúque. Ele afirma que o projeto procura dar uma solução a uma problema enfrentado em países em desenvolvimento. “Sistemas convencionais não abrangem a toda gente. Um exemplo disso é que 2 bilhões de pessoas no mundo ainda consomem água contaminada por microrganismos. E como consequência disso, mais 830 mil pessoas ainda morrem por doenças gastrointestinais, principalmente entre crianças”, pontua.

Outra possibilidade é ajudar nas áreas rurais. “Os sistemas convencionais em larga escala, além de caros, só são adequados para locais como centros urbanos, com uma densidade demográfica grande. Embora seja obrigação abastecer todo o povo, as áreas menos populosas acabam não sendo rentáveis para os sistemas usuais”, explica.

Como funciona

O equipamento é feito de dois tanques, um de aquecimento e um de resfriamento, mais uma tubulação pela qual a água passa, recebendo os raios solares. Há um jogo de espelhos que direciona esses raios e concentra-os para os tubos onde a água está. Como o sistema permanece em fluxo contínuo – a água vai passando pelas tubulações e sendo esterilizada – o trabalho consegue ser feito em grandes volumes.

O sistema captura radiações ultravioleta e infravermelhas do sol e as concentra para a água, que flui naturalmente pelo equipamento. Com isso, a seis horas dos SODIS viram minutos ou até segundos para a desinfecção. Esse rendimento conseguiu produzir 360 litros em um dia. Segundo o pesquisador moçambicano, ainda é preciso aprimoramento na forma de abastecimento, que ainda é manual. Uma saída pode ser usar a força da gravidade ou da energia solar de painéis fotovoltaicos.

Patente verde

Os bons resultados obtidos com o protótipo motivaram o grupo de pesquisadores a solicitar a patente. E o pedido foi aceito, no ano passado, fazendo do sistema a primeira patente verde da UFRGS.

(com informações da UFRGS Ciência)


Compartilhe: