Quatro meses após início da vacinação contra Covid-19, apenas 10% da população do RS recebeu duas doses

Conforme os dados da Secretaria da Saúde, o Estado recebeu cerca de 5,4 milhões de doses de vacinas do Ministério da Saúde.

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Quatro meses após o início da campanha de imunização contra a Covid-19, apenas 10% da população gaúcha recebeu duas doses das vacinas. Os dados são da Secretaria Estadual da Saúde. Na lista de problemas estão falta de doses e baixa produção por falta insumo farmacêutico ativo, entre outros fatores.

A primeira dose da vacina contra a Covid-19 foi aplicada no país em 17 de janeiro, em São Paulo, quando a enfermeira Mônica Calazans foi vacinada com a Coronavac. A vacinação no Rio Grande do Sul começou na noite do dia seguinte, 18 de janeiro de 2021, com a imunização simbólica de enfermeiros, idosos e indígenas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Mas, desde então, o ritmo de imunização contra a Covid foi lento, quase a passo de tartaruga.

Até 12h08 desta segunda-feira, 1.134.703 pessoas haviam recebido as duas doses do imunizante, conforme o painel Vacina RS. Isso representa apenas 10,01% de toda a população gaúcha. Os dados do sistema são atualizados de hora em hora, entre 8h da manhã e 20h da noite.

No ritmo atual, a vacinação dos 5.255.631 integrantes do grupo prioritário deve acabar nos últimos quatro meses do ano. Conforme os dados da Secretaria da Saúde, o Estado recebeu cerca de 5,4 milhões de doses de vacinas do Ministério da Saúde. O número é menor que o um quarto das 22,7 milhões de doses necessárias para imunizar todos os gaúchos contra a Covid-19.

Baixo número de vacinas, atrasos e falta de IFA são entraves

Entre os entraves à vacinação no Rio Grande do Sul estão vários fatores. Primeiro: nenhum Estado brasileiro foi autorizado a comprar vacinas direto das farmacêuticas. Estados do Norte e Nordeste conseguiram negociar a russa Sputinik, que não pode ser usada no Brasil por não ter registro na Anvisa.

O segundo fator é o baixo ritmo de produção das principais vacinas: a CoronaVac e Oxford/AstraZeneca. Os contratos com o Instituto Butantan e a Fiocruz preveem imunizar apenas 100 milhões de brasileiros. A Pfizer, preterida pelo Ministério da Saúde, vai entregar vacinas ao longo do ano. A Covaxin não chegou em solo nacional.

Não bastasse isso, falta IFA, o insumo farmacêutico ativo, item essencial para produção da vacina. O ingrediente não é produzido, ainda, em solo brasileiro. Depende de importação da Índia ou da China. O Butantan paralisou a produção da CoronaVac na última sexta-feira por falta do insumo. Foi a segunda vez que a produção teve que ser interrompida. O mesmo já tinha ocorrido em abril.


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