Brasil vive maior colapso sanitário e hospitalar de sua história, aponta Fiocruz

Motivo é a superlotação em hospitais, tanto nos leitos clínicos, quanto de terapia intensiva. Caos em hospitais traz “prejuízos imensuráveis no atendimento de pacientes”, alerta Fiocruz.

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A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou uma edição extra do Boletim Observatório Covid-19, que avalia a situação da pandemia do novo coronavírus no Brasil. A situação, conforme o órgão, é crítica, com o país vivendo a pior fase da doença. Na visão dos pesquisadores que realizam a análise, trata-se do maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil.

O boletim mostra que, no momento, das 27 unidades federativas, 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS (Sistema Único de Saúde) iguais ou superiores a 80%. Quinze estados têm taxas iguais ou superiores a 90%. Os dados são das secretarias estaduais de Saúde e do Distrito Federal, e secretarias de Saúde das capitais.

Dados do boletim, apontam que, em termos gerais, os números elevados “denotam o colapso do sistema de saúde para o atendimento de pacientes que requerem cuidados complexos para a Covid-19”. Além disso, destaca a Fiocruz, que a superlotação de hospitais traz “prejuízos imensuráveis no atendimento de pacientes que demandam cuidados em razão de outros problemas de saúde”.

“As internações eletivas estão paralisadas na maior parte dos hospitais do país. Dentre esses procedimentos alguns podem trazer, além de óbitos, agravamentos e danos permanentes à saúde da população. Como por exemplo cirurgias de catarata que estão sendo adiadas e podem aumentar casos de cegueira permanente de forma significante”, aponta o boletim da Fiocruz.

A fim de evitar que o número de casos e mortes se alastrem ainda mais pelo país, assim como diminuir às taxas de ocupação de leitos, os pesquisadores defendem a adoção rigorosa de ações de prevenção e controle. Eles também defendem maior rigor nas medidas de restrição às atividades não essenciais. Os pesquisadores da Fiocruz enfatizam também a necessidade de ampliação das medidas de distanciamento físico e social. Outra medida importante é o uso de máscaras em larga escala e a aceleração da vacinação.

Rio Grande do Sul segue padrão de colapso no sistema de saúde

No Rio Grande do Sul, a situação segue o padrão de colapso visto no restante do país. “Este quadro absolutamente crítico resulta em impactos diretos e indiretos sobre a saúde da população e trabalhadores da saúde que vêm trabalhando na linha de frente de resposta à pandemia. Apesar de ocupação inferior a lotação máxima de 100%, vários locais apresentam filas de espera por leitos. Configura situação de colapso no atendimento”, destaca o Observatório Covid-19.

A taxa de ocupação de leitos na rede pública chegou aos 100%, mas a instalação de novas unidades de terapia fez que o indicador caísse para 98,5% nos últimos dois dias. No entanto, 321 pessoas com Covid-19 ou suspeita da doença aguardam transferência para leitos de UTI em todo o Estado, conforme dados da SES/RS (Secretaria Estadual da Saúde do RS). A situação é mais crítica na Lista Central Estadual, com 205 pessoas aguardando leito.

Em Porto Alegre, dados atualizados na noite desta terça-feira (16) pela SMS (Secretaria Municipal da Saúde), apontam lotação de 118,03% nos hospitais de referência para tratamento da Covid-19 no SUS. A Capital tem quatro centros especializados: Clínicas, Conceição, Complexo Santa Casa e São Lucas da PUCRS. Apenas nesses hospitais, são atendidos 556 pacientes em 477 leitos.

O documento pode ser lido, na íntegra, neste link.


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