Crise na Venezuela: Guaidó diz ter apoio para derrubar Maduro

O autoproclamado presidente da Venezuela, o deputado opositor Juan Guaidó, anunciou que as Forças Armadas estão ao seu lado para derrubar o governo de Nicolás Maduro.

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(da redação, com ANSA Brasil) – O autoproclamado presidente da Venezuela, o deputado opositor Juan Guaidó, anunciou que as Forças Armadas estão ao seu lado para derrubar o governo de Nicolás Maduro. Ele publicou hoje (30) um vídeo nas redes sociais no qual anuncia a tomada de posição de parte dos militares.

Ele também fez um apelo para que civis venezuelanos saiam às ruas contra Maduro para instalar um novo governo. “Povo da Venezuela, começou o fim da usurpação. Neste momento, me encontro com as principais unidades militares das nossas Forças Armadas dando início à fase final da ‘Operação Liberdade'”, anunciou.

No entanto, já passadas algumas horas do anúncio, não há nenhuma declaração em favor de Guaidó. Também ainda não se sabe quantos militares nem quais alas das Forças Armadas da Venezuela estariam apoiando a oposição. Mas milhares de pessoas estão nas ruas da capital venezuelana, Caracas.

Na base de La Carlota, uma das principais do país, manifestantes entraram em confronto com militares que guarneciam as entradas do local. Há relatos de confrontos com uso de gás lacrimogêneo. Ao menos uma pessoa teria sido ferida nos embates.

O apelo de Guaidó coincide com a libertação de outro líder da oposição, Leopoldo López, em Caracas, onde cumpria pena de prisão domiciliar. Os dois se reuniram em uma base militar próxima à capital.

Brasil espera militares apoiando transição democrática, diz chanceler

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, disse hoje (30) que o governo espera que os militares “apoiem a transição democrática” na Venezuela. Em uma coletiva de imprensa em Brasília, ao lado do ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, o chanceler afirmou que o governo está acompanhando “minuto a minuto” a situação na Venezuela, mas considera “positivo que haja um movimento de militares que reconhecem a constitucionalista” do opositor e autoproclamado presidente Juan Guaidó.

“O que está acontecendo hoje temos que acompanhar minuto a minuto. Mas a nossa posição de base continua sendo de apoio ao presidente encarregado, Guaidó”, disse. De acordo com Araújo, também é preciso “avaliar” a “dimensão do que está ocorrendo”. “O Brasil, evidentemente, desde o começo, apoia a transição democrática e espera que os militares façam parte dessa transição”, concluiu.

“Tentativa de golpe”

O governo Maduro reagiu às declarações de hoje de Guaidó definindo-as como uma “tentativa de golpe”. “Informamos o povo da Venezuela que, neste momento, estamos enfrentando e neutralizando um reduzido grupo de militares traidores que ocuparam o Distribuidor Altamira (principal acesso a Caracas) para promover um golpe de Estado contra a Constituição e a paz da República”, afirmou, via Twitter, o ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodriguez.

Guaidó se autodeclarou presidente interino da Venezuela em janeiro, durante uma série de manifestações populares contra Maduro, e recebeu o apoio de dezenas de países, como Estados Unidos, União Europeia e Brasil.

No entanto, Maduro continuou no pode graças ao respaldo das Forças Armadas e de nações como a Rússia e a China.


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